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Dez coisas que você não sabia sobre a Guerra do Vietnã

L. Paul Epley/APL. Paul Epley/AP

A data oficial de início da Guerra do Vietnã permanece indefinida. O conflito entre Vietnã do Sul e Vietnã do Norte (comunista) já vinha desde 1955. Só seis anos depois os EUA entraram efetivamente na guerra. Esta quarta-feira (14) marca os 50 anos da carta enviada pelo então presidente americano John F. Kennedy para o líder sul-vietnamita, Ngo Dinh Diem, em 1961. Na mensagem, Kennedy prometeu “aumentar imediatamente a nossa ajuda ao seu esforço em defender seu território” do Vietnã do Norte, enviando prontamente 21 helicópteros americanos para o país. Era o início de um conflito militar que se arrastou até 1975, deixando um saldo de mais de 58 mil americanos e cerca de 2 milhões de vietnamitas mortos. Mais de 80% das vítimas entre os vietnamitas eram civis, afirma o governo do Vietnã hoje em diaAbbie Rowie/Wikimedia CommonsAbbie Rowie/Wikimedia Commons

São muitos os motivos que levaram os EUA a entrar no Vietnã. O principal deles é a teoria do ‘efeito dominó’, que era a forma como a diplomacia americana se referia a possibilidade de que novas revoluções comunistas estimulassem países vizinhos a também se aliarem à União Soviética. Naqueles tempos de Guerra Fria, esse era um dos principais medos dos americanos – ainda mais depois de uma frustrante conferência entre o recém-eleito Kennedy e o líder soviético Nikita Khrushchev, em 1961 em Vienna. Durante a reunião, Khruschnev tratou de provocar o jovem presidente de 41 anos que, irritado, passou a considerar uma intervenção na Ásia imediatamente após o encontro. Na saída da reunião, Kennedy afirmou a um jornalista do The New York Times que “agora teremos [os EUA] um problema para nos mostrar como uma força de verdade e o Vietnã parece ser o lugar ideal para isso”. Antes, ainda naquele mesmo ano, Kennedy já tinha sofrido duas derrotas importantes com o fracasso da operação da Baía dos Porcos (que pretendia derrubar Fidel Castro do poder em Cuba) e a construção do Muro de Berlim, que dividiu o mundo em dois na calada da noiteHorst Faas/APHorst Faas/AP

Outro aspecto quase esquecido sobre a Guerra do Vietnã é o cunho religioso que se instaurou ao redor da divisão entre norte e sul. De fato, o conflito começou a ser perdido “de dentro para fora” do próprio Vietnã, a partir da impopularidade do presidente do Vietnã do Sul, Ngo Dinh Diem. Católico fervoroso, ele liderou uma campanha contra o budismo (maior religião do país) com ataques contra mosteiros milenares, ao mesmo tempo em que estimulou a fuga de mais de mais de um milhão de vietnamitas católicos do norte para o sul sob o slogan “Siga a Virgem Maria”. A repressão a outros grupos religiosos, que Diem acusava de serem comunistas, acabou custando caro para o presidente sul-vietnamita. Ele acabou vítima de um golpe militar autorizado por Kennedy e executado, sem a autorização dos EUA, ao lado de seu irmão, o chefe das forças de segurançaAP PhotoAP Photo

Mas antes é preciso entender o contexto que levou ao conflito entre os próprios vietnamitas. Sob controle francês desde o século 19, a região da Indochina (que incluía ainda Laos e Camboja) passou por duas grandes guerras separatistas e, entre as décadas de 1940 e 1950, foi invadida por japoneses e chineses. Após mais de 10 anos de conflito, as milícias do norte do país receberam o apoio do recém-instaurado governo comunista na China e a organizar uma larga campanha de assassinatos de líderes comunitários do ainda aliado francês Vietnã do Sul, que segundo o então presidente Ngo Dinh Diem, matou mais de 400 oficiais do governo apenas em 1957Nick Ut/APNick Ut/AP

A Guerra do Vietnã também detém um recorde negativo sobre o uso de armas químicas, hoje banidas pelas convenções de Genebra (que estipulam as regras para crimes de guerra). Mais de 400 mil toneladas do líquido inflamável foram jogadas em operações que varreram cerca de 20% da mata nativa do país. O uso indiscriminado de napalm acabou sendo justificado pelo grande número de baixas entre os soldados americanos por causa da dificuldade em combater os vietcongues (soldados vietnamitas do norte) em meio à mata fechada. Segundo documentos atualizados do governo americano, o napalm foi apontado como o “pior medo” dos combatentes do lado comunista, e há relatos sobre batalhões inteiros de combatentes inimigos que se renderam após a mera visão de aviões americanos sobre a floresta
Lipchitz/AP
Lipchitz/AP
Em 1954, antes mesmo do início da Guerra do Vietnã, os Estados Unidos chegaram a considerar uma ajuda aos franceses durante a revolução que dividiu o país. Mas a parte supreendente disso é que as conversas incluíram até mesmo o uso de bombas atômicas para conter a perda da colonia francesa. O plano era lançar até três bombas sobre as posições do comandante Vo Nguyen Giap, no norte do território da Indochina, mas o antecessor de Kennedy, Dwight Eisenhower, viu riscos demais em um possível envolvimento americano no país. Curioso é que, desde essa época, seu vice e futuro presidente dos EUA, Richard Nixon, foi um dos principais defensores de um ataque. Quinze anos mais tarde, Nixon liderou o país para a intensificação das ações militares, instituiu o uso de armas químicas no conflito e deu início a eventual derrota dos americanos em uma guerra combatida por quatro presidentes diferentes
Lipchitz/APLipchitz/AP

Outra curiosidade a respeito do temido governo comunista do Vietnã do Norte é que, logo na declaração da independência do país, o líder Ho Chi Mihn chegou a parafrasear a Declaração de Independência dos Estados Unidos diante de uma praça com mais de 500 mil pessoas em Hanoi. A frase escolhida é idêntica a primeira linha do documento que emancipou os EUA do domínio britânico, ainda no século 18,  e diz que “todos os homens são criados iguais e o Criador nos deu certos direitos invioláveis: o direito à vida, o direito à liberdade e o direito de ser feliz”
AP PhotoAP Photo
Certas atrocidades cometidas pelas tropas americanas no Vietnã (a primeira a ser coberta de perto pela imprensa internacional, permitida a acompanhar os soldados americanos no front com fotografias em cores das cenas de violência) revoltaram principalmente a população jovem nos Estados Unidos. Eram os anos 1960 e, surfando na onda da contra-cultura e do rock’n’roll, milhares de universitários americanos ajudaram a dividir o país com enormes protestos contra a guerra e a convocação de jovens para o serviço militar. Até hoje a marca deste racha na sociedade americana pode ser constatado na música popular e no cinema da época, com canções anti-guerra como o hino de Woodstock (o mais famoso festival de rock de todos os tempos) I Feel Like I’m Fixing to Die e filmes como Apocalypse Now!, do ganhador do Oscar, Francis Ford CoppolaMark Humphrey/APMark Humphrey/AP

Ainda que tenha sido uma das guerra mais impopulares em que os Estados Unidos já entraram, o censo americano até hoje se surpreende com o número de pessoas que dizem ter servido no Vietnã. De acordo com o censo, quatro em cada cinco pessoas que dizem ser veteranos da guerra não o são de verdade. Pelas estimativas do governo americano, em 1995 cerca de 1,7 milhão de veteranos da guerra do Vietnã ainda estavam vivos, porém mais de 9 milhões declararam ter lutado no país. Já em 2000, 13 milhões de americanos disseram ter servido na guerra, 4 milhões de pessoas a mais do que no censo de cinco anos antes
AP PhotoAP Photo
Um último mito sobre o Vietnã fala sobre a famosa cena dos helicópteros americanos deixando Saigon, capital do sul, na imagem que marcou a derrota dos EUA para um país subdesenvolvido e em constante crise de fome. A fuga dos helicópteros com o pessoal da embaixada americana em Saigon, em 1975, aconteceu, na verdade, dois anos após a saída dos militares americanos do país. A guerra acabou oficialmente em 1973, com a assinatura de um tratado entre EUA e Vietnã do Norte em Paris, mas a imagem que ficou foi a dos mais de 1.300 americanos e outros 5.600 refugiados resgatados pela CIA (agência de Inteligência dos EUA) em diversas partes do país. Batizada de Operação Vento Frequente, essa foi a maior operação com helicópteros da história, mas sempre será lembrada como o dia em que a maior potência mundial foi derrotada por um adversário mais do que improvável
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14/12/2011 - Posted by | Espaço

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